quinta-feira, 8 de março de 2012

“Então, que seja doce.

Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias,
bem assim: que seja doce.
Quando há sol,
e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia,
contemplando as partículas de poeira soltas no ar,
feito um pequeno universo,
repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce, que seja doce, que seja doce e assim por diante.
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce,
talvez não saiba responder.
Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio Fernando Abreu

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