sexta-feira, 29 de julho de 2011


Com todo perdão da palavra, eu sou um misterio para mim.

Clarice Lispector

...Que minha solidão me sirva de companhia.

Que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir

como se estivesse pleno de tudo.

Clarice Lispector

"Precisamos viver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar...
É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós,
onde os desejos não precisam razão,
nem o sentimentos motivos...
O Importante é viver cada momento e aprender sua duração,
pois a vida está nos olhos de quem sabe ver...

(Carlos Drumond de Andrade)

O que me compõe é tudo o que minha alma já viveu.
É tudo o que meu corpo já sentiu.
É o que eu me lembro, sonho, sinto:
Amores, dores...
Medos, vícios.
É o que eu crio para mime o que eu tiro...
Desmorono...
E o que fica é só o verdadeiro:
Componho-me.

O que me habita é tudo o que eu consinto.
Tudo que é intrínseco, eu convivo.
Todos os “eus” me habitam.
E todos eles gritam...
Fugas, fogueiras, fuzuês...
Habitam-me todos os sexos...
Crenças, cores, quereres...
E eu não fujo:
Habito-me.

O que eu conheço é o que eu busco
e eu busco só o total...
O que toca fundo,
o que tem sentido.
Meio termo,
meio passo, meio vivo;
O meio me faz mal.
Quem não se conhece aceita qualquer coisa...
Não conheço o caminho,... Mas hei de seguir...
Não sei do mundo,
mas sei de mim:
Conheço-me.

O que eu permito é tudo que me eleva.
Se não engrandece,
não me acrescenta: desce!
A luz e a sombra me somam,
me mostram, me são.
Sou o doce e o veneno,
não há o que escolher...
Verso e inverso, yin-yang,
eu me completo.
Não me tiro:
Permito-me.

Tudo que minha alma já viveu me compõe.
E o que me compõe habita em mim.
E o que habita em mim,
eu conheço.
E o que eu conheço eu permito.
E o que eu permito, é.
Eu Sou.
Permito-me!

Carolina Salcides

Tudo já não foi dito?
Sentido?
Mostrado?
O que mais posso dizer?
Quanto mais posso me abrir se já estou às avessas?
Tudo bem não sou mais o mesmo... depois te tantas viagens...
Mas vê a água: percorre paisagens, se funde e se separa
e continua sendo água.
Sou água.

(Carolina Salcides)



Gosto de me perder, assim me reencontro.
Gosto que o vento brinque com meus cabelos
e meus pés me guiem por caminhos bonitos.
Assim meu sorriso cresce e meu menino dança.
Gosto se sentir o sol aquecendo a pele e o amor me espiando.
Assim minha alma agradece e conforta-se...
Gosto de ver como as coisas são transitórias,
mas são as mesmas.
Os grãos de areia mudam com o vento,
se reagrupam e ainda assim são dunas...
Ou são o caminho,
a margem ou o fundo do mar...
Há beleza na descontrução...
Sou um grãozinho, uma gota.... sou o universo.
Pretensão?
Não. sensação...
Meu corpo sente o peso da caminhada,
mas assim, só assim minha alma vibra o sentido de estar aqui...
Fragmentado ou inteiro.

Carolina Salcides

"Sou como você me vê.

Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,

depende de quando e como você me vê passar".

Clarice Lispector