quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Mas uma parte é pecado e a outra é perdão; 
e nesse desequilíbrio de opostos acertamos com os erros e, 
por muitas vezes, erramos com muitos acertos. 
Ganhamos quando perdemos e perdemos quando ganhamos. 
Intolerantemente fazemos açúcar virar sal e transformamos 
sangue em vinho; 
deixamos as nuvens serem algodão 
e as lágrimas afogarem-se nos lábios doces. 
E no fim do nosso teatro, 
no final da última cena, 
percebemos que somos pequenos diante de tanta coisa, 
diante de tanta imprevisibilidade que somos 
submetidos diuturnamente. 
Somos pequenos como um grão de areia e frágeis 
como um cristal de Murano. 
Assim, incontroversamente, 
somos pequenos demais, 
somos aprendizes demais, 
somos imaturos e medíocres demais; 
porque dentre as muitas desastrosas façanhas... desconhecemos o amor 
que nos ama, 
morremos de saudades porque nós mesmos nos ausentamos e, 
inexplicavelmente, 
silenciamo-nos quando deveríamos bradar aos quatro ventos. 
Por tudo que pecamos... indefinidamente, 
nos perdoamos pelas burrices que nos afundam ao invés 
de mata-las antes de nos afogarmos. 
Mas isso até chegar num ponto onde a solidão nos mate de medo, 
onde o silêncio grite em nossos ouvidos, 
onde a esperança seja sucumbida diante do ceticismo... simplesmente 
por uma questão de acomodação. 
Dentro de nós somos apenas uma ilha, 
cercada de tubarões famintos e de água envenenada.
Dentro de nós somos apenas metade... uma parte 
de nós que é pecado... porque a parte perdão está amedrontada 
pela brisa dos nossos pesadelos. 
Dentro de nós, sorridentes, 
nos desequilibramos buscando o que nem sabemos direito. 
Até que nos levem daqui sem carregarmos 
nem pedras e nem tampouco flores; 
sem conseguirmos dizer perdão(!); 
sem nem conseguirmos gritar: te amo!

⊱✿✿ 

Adriano Hungaro

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