
As vezes a gente quebra as taças... e deixa que o vidro se espalhe
pelo carpete da sala.
As vezes a gente dispara a arma... e deixa que o tiro não
acerte o inimigo no campo de batalhas.
As vezes a gente silencia-se e deixa que a falta
de palavras seja a melhor resposta.
As vezes a gente mata a saudade... e deixa o sentimento
guardado num canto do diário.
As vezes a gente mata o amor... e deixa que a vida nos
carregue de braços abertos para o melhor caminho... para o melhor
destino... para a melhor lenda.
Porque nem tudo que agrada ao mundo (definitivamente)
nos agrada... nem tudo que brilha feito diamante tornar-se-
á a nossa pedra mais preciosa;
nem todo ouro é nosso melhor presente.
Porque eu fico muitas vezes
com os vidros do carpete... eu prefiro muitas vezes o tiro exato
que não mata (por pura opção).
Eu contento-me com o melhor silêncio,
com a melhor resposta e a pior pergunta.
Eu guardo a saudade num papel de bar e
deixo que o amor me mate para - depois de duas lágrimas - jogar-me
de braços abertos no abismo.
O que querem que faço... eu não faço; mas soletro
meus afazeres de modo não interpretável.
Um dia perco o amor... noutro dia perco a esperança.
Mais a frente perderei (certamente) a minhã alegria... mas,
cristalinamente, a vida é assim... de ganhar e perder.
Todavia, por mais que perca,
eu nunca - absolutamente nunca - me perderei de mim...
Mesmo que para isso tenha perdido mil batalhas.
Mesmo que para isso tenha morrido mil vezes.
Mesmo que para isso... tenha perdido todos os meus amores !
⊱✿✿
Adriano Hungaro
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