quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

As vezes a gente quebra as taças... e deixa que o vidro se espalhe
 pelo carpete da sala. 
As vezes a gente dispara a arma... e deixa que o tiro não 
acerte o inimigo no campo de batalhas. 
As vezes a gente silencia-se e deixa que a falta 
de palavras seja a melhor resposta. 
As vezes a gente mata a saudade... e deixa o sentimento 
guardado num canto do diário. 
As vezes a gente mata o amor... e deixa que a vida nos 
carregue de braços abertos para o melhor caminho... para o melhor 
destino... para a melhor lenda. 
Porque nem tudo que agrada ao mundo (definitivamente) 
nos agrada... nem tudo que brilha feito diamante tornar-se-
á a nossa pedra mais preciosa; 
nem todo ouro é nosso melhor presente. 
Porque eu fico muitas vezes 
com os vidros do carpete... eu prefiro muitas vezes o tiro exato 
que não mata (por pura opção). 
Eu contento-me com o melhor silêncio, 
com a melhor resposta e a pior pergunta. 
Eu guardo a saudade num papel de bar e 
deixo que o amor me mate para - depois de duas lágrimas - jogar-me 
de braços abertos no abismo. 
O que querem que faço... eu não faço; mas soletro 
meus afazeres de modo não interpretável. 
Um dia perco o amor... noutro dia perco a esperança. 
Mais a frente perderei (certamente) a minhã alegria... mas, 
cristalinamente, a vida é assim... de ganhar e perder.
Todavia, por mais que perca, 
eu nunca - absolutamente nunca - me perderei de mim... 
Mesmo que para isso tenha perdido mil batalhas. 
Mesmo que para isso tenha morrido mil vezes. 
Mesmo que para isso... tenha perdido todos os meus amores !

⊱✿✿ 

Adriano Hungaro

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