sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

 
Então me vens 
e me chega
e me invades
e me tomas
e me pedes
e me perdes
e te derramas sobre mim
com teus olhos
sempre fugitivos
e abres a boca para libertar
novas histórias
e outra vez me completo assim,
sem urgências,
e me concentro inteiro nas coisas
que me contas,
e assim calado,
e assim submisso,
te mastigo dentro de mim
enquanto me apunhalas
com lenta delicadeza
deixando claro em cada promessa
que jamais será cumprida,
que nada devo esperar
além dessa máscara colorida,
que me queres assim
porque assim que és...  

Caio Fernando Abreu

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